Sucessão com propósito: o papel dos jovens no cooperativismo
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O cooperativismo tem se consolidado como um dos pilares mais estratégicos para o futuro do agronegócio, especialmente em um cenário cada vez mais exigente, competitivo e profissional. Nesse contexto, o produtor que atua de forma isolada enfrenta mais dificuldades para acessar tecnologias, inovação e estruturas que impulsionam a produtividade. É justamente aí que o modelo cooperativista se destaca, ao organizar, dar escala e fortalecer os produtores, transformando desafios individuais em força coletiva.
Ao mesmo tempo, a sucessão nas cooperativas ainda é um tema que exige atenção. Mais do que uma transição técnica, ela envolve questões culturais, familiares e até mesmo mudanças de perspectiva das novas gerações, que muitas vezes são atraídas por oportunidades fora do campo. Quando esse processo não é estruturado, tende a ser adiado ou acontecer de forma desorganizada, o que pode comprometer a continuidade dos negócios.
A experiência de Gabriela Olinda ilustra bem esse cenário e os caminhos possíveis para superá-lo. Cooperada da Coopexvale e integrante da Comissão de Jovens Cooperativistas do Sistema OCB/PE, ela destaca que a preparação dos jovens passa por três pilares essenciais: educação, capacitação e participação. Esse olhar também está presente na sua trajetória acadêmica, com o desenvolvimento do Trabalho de Conclusão de Curso no MBA em Gestão do Agronegócio pela USP/ESALQ, com foco nos desafios da sucessão familiar em empresas produtoras de uva em Petrolina. O estudo analisa como os sucessores estão sendo preparados e reforça a importância de estruturar esse processo para garantir a continuidade e a evolução dos negócios. “Quando os jovens têm acesso ao conhecimento, entendem a gestão e participam das decisões, eles deixam de ser apenas sucessores e passam a ser protagonistas desse processo.”
Na prática, iniciativas como a participação em comitês, capacitações e espaços de decisão dentro das cooperativas têm se mostrado fundamentais. Esse envolvimento permite que os jovens desenvolvam visão estratégica, entendam o cooperativismo no dia a dia e se preparem para assumir papéis de liderança com mais segurança.
Outro ponto importante é a necessidade de mudar a percepção sobre o agronegócio. Hoje, o setor é altamente tecnológico, conectado com o mercado internacional e repleto de oportunidades de crescimento. Quando o jovem enxerga esse potencial, passa a ver o campo como um espaço de inovação, realização profissional e impacto real.
Os desafios existem, especialmente relacionados à profissionalização da gestão e às exigências de qualidade do mercado. Por outro lado, as oportunidades são igualmente relevantes, com destaque para a expansão de mercados, a agregação de valor aos produtos e a integração entre cooperativas, que fortalece ainda mais o sistema.
Nesse cenário, o cooperativismo segue cumprindo um papel essencial ao dar mais fôlego aos pequenos e médios produtores, garantindo acesso a melhores condições, redução de custos e inserção em mercados mais exigentes. O que antes era limitação individual se transforma em potência coletiva.
O grande diferencial desse modelo está justamente na sua capacidade de gerar valor compartilhado, promovendo não apenas resultados econômicos, mas também desenvolvimento social e coletivo. O equilíbrio entre tradição e inovação é o que sustenta esse crescimento, unindo o conhecimento das gerações anteriores com a abertura para novas ideias e práticas.
Falar de jovens cooperativistas é, portanto, falar de futuro. Um futuro que se constrói com preparo, participação e, principalmente, com a força do coletivo.